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Segunda-feira, 15.11.04

Pensamento do dia

Você não pode ensinar nada há um homem; você pode apenas ajudá-lo a encontrar a resposta dentro dele mesmo .”
Galileu Galilei

Tampouco : também não.

Ele não a cumprimentou e tampouco olhou para ela.

Tão pouco : pouca intensidade.

Eu dormi tão pouco esta noite (advérbio).

 
Colaboração: Iracema Dantas

 

CLIPPING

Veja os destaques de hoje:

1. Lançado Encontro “Só Para Mulheres”
2. Aids cresce na terceira idade
3. II Jornada Científica do Crer

 

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Jornal O Popular, Editoria de Magazine - 15.11.04

Só para Mulheres

Foi lançada na sexta-feira, durante café da manhã, no Palácio das Esmeraldas, a Feira Só Para Mulheres - Produtos e Serviços. O evento está programado para os dias 18, 19 e 20 de março de 2005, no Centro de Cultura e Convenções de Goiânia, com duração de três dias. À oportunidade serão realizadas nove palestras com nomes expressivos da área feminina no cenário nacional. A ordem é explorar ao máximo assuntos ligados ao universo feminino, como sexo, educação, saúde, negócios, beleza, turismo, direitos da mulher. Está em negociação a presença da consultora de moda Gloria Kalil, das jornalistas Gloria Maria e Erika Palomino, da dermatologista Lígia Kogus e da ex-jogadora de basquete Hortência. A presidente da OVG, Valéria Perillo, apresentou a feira a vários representantes do segmento feminino. Durante o evento, serão montados 30 estandes com serviços diversos, além de desfiles de moda e jóias. A feira deverá consumir investimentos de R$ 300 mil e espera atingir um público acima de 7 mil mulheres.

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Jornal O Popular, Editoria de Cidades - 15.11.04

SAÚDE

Aids cresce na terceira idade

Casos mais que dobraram nessa faixa etária, por causa do envelhecimento populacional

Isabel Czepak

A epidemia de aids no Brasil vem ganhando contornos cada vez mais acentuados entre os idosos. Na última década, a incidência da doença entre pessoas com idade acima de 50 anos mais que dobrou no Brasil. No grupo de 50 a 59 anos, o número de casos que, em 1990, era de 14,69 por 100 mil habitantes, pulou para 39,8 em 1998. Entre homens e mulheres de 60 a 69 anos o aumento foi menor, mas não menos impressionante: de 7 casos saltou para 19 a cada 100 mil habitantes.

Em Goiás, o número absoluto de doentes na população de 50 a 69 anos explodiu em 1998, chegando aos 54 casos. De lá para cá, vem aumentando ano a ano com certa regularidade. Em 1999 foram 29; em 2002, 41, ou seja, 41% a mais. No sábado, dia 13, dois idosos estavam internados no Hospital de Doenças Tropicais (HDT). O avanço da epidemia nessa faixa etária já preocupa o Ministério da Saúde. Em julho, o órgão instituiu um grupo técnico para trabalhar com esse segmento populacional. Uma das estratégias já definidas é a distribuição de preservativos masculino e feminino.

O crescimento da aids em idosos é relacionado pelo ministério ao envelhecimento populacional e à melhoria da qualidade de vida dessa população. Em 1940, de acordo com dados do IBGE, o brasileiro vivia, em média, 45,5 anos. A barreira dos 70 anos foi rompida em torno do ano 2000, quando a média de anos vividos chegou a 70,4 anos. Em 2050, chegaremos ao nível atual do Japão, onde a população vive, em média, 81,3 anos.

As mudanças incluem a qualidade de vida social e sexual. Nunca se estimulou tanto a inserção social dos idosos, que, no ano passado, tiveram seus direitos (inclusive à saúde e ao lazer) garantidos pelo Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/03). “As pessoas estão mais ativas, saem mais e passaram a freqüentar grupos”, constata a gerente de Desenvolvimento do Sistema e das Ações de Saúde, a geriatra Mabel del Socorro Cala de Rodriguez.

A vida sexual foi impulsionada em 1998, com a introdução no mercado das pílulas para impotência sexual. “Os inibidores da fosfodiesterase 5 melhoram a ereção em 70% a 85% dos casos”, observa o urologista Gilvan Neiva, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás e coordenador de pesquisas com alguns desses medicamentos. Mas, pelo seu ótimo desempenho, provocaram uma revolução na vida não só dos homens mais jovens, mas também dos casais idosos.

“Gente que estava com sua atividade sexual acomodada, se viu diante de uma situação completamente nova”, comenta Neiva. Mas o que é solução vira problema quando só o homem se sente motivado. “Aí, as queixas vêm de ambos os lados. O descompasso acaba estimulando os relacionamentos extraconjugais e a promiscuidade”, avalia. Nessa faixa de idade, esses comportamentos acabam tendo peso extra. Com freqüência maior do que entre os jovens, são adotados sem a prevenção dos riscos.

Vida sexual mais ativa aumenta risco

A infidelidade e a multiplicidade de parceiras sempre foram franqueadas socialmente aos homens que hoje têm mais de 60 anos e o sexo seguro nunca fez parte da vida deles. “São homens de uma geração que pensa que transar de camisinha é como chupar bala com papel”, comenta o professor Gilvan Neiva. “Essas pessoas, aos 30 anos, viveram o auge da liberação sexual e se acostumaram a se relacionar sem medo de doenças. Para os males da sua época (a sífilis e a gonorréia), a penicilina resolvia”, acrescenta o médico Fernando Raphael de Almeida Ferry.

Membro do Grupo Técnico sobre Envelhecimento e Aids do Ministério da Saúde, coordenador do curso de especialização em HIV/aids do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Ferry comenta que, culturalmente, a sexualidade do idoso ainda é ignorada. “Mas, nessa idade, com os filhos criados, a vida estabilizada e, agora, estimuladas pela sociedade, as pessoas tendem a fazer tudo o que não tiveram coragem de fazer na vida, porque se sentem livres e pensam que têm pouco tempo de sobra para aproveitar essa liberdade.”

A falta de hábito do uso da camisinha, aliada aos comportamentos de risco, expõem também as mulheres idosas casadas que, pela educação que receberam, são extremamente submissas e têm um poder muito menor de negociação do uso de preservativos do que as mais jovens. A infectologista Crhistiane Kobal, médica do Hospital de Doenças Tropicais (HDT), observa que a sociedade está muito mais permissiva e, tanto os homens como as mulheres, não raro, escolhem parceiros mais jovens, entre os quais a doença se dissemina com maior intensidade.

Predominância de heterossexuais

Maioria dos doentes de aids na faixa etária acima de 65 anos é homem e heterossexual.
Entidades alertam para falta de ações entre idosos

Uma tendência da epidemia de aids no Brasil, a feminilização ainda não é observada quando são separados os pacientes com mais de 60 anos notificados regionalmente. “No grupo com idades superiores a 65 anos, a predominância em homens tem sido constante”, observa a geriatra Mabel del Socorro Cala de Rodriguez, autora de pesquisa intitulada Epidemiologia da Aids no Idoso X Outras Faixas Etárias no Estado de Goiás.”

Integrante desse grupo restrito de mulheres (24 desde o primeiro caso registrado no Estado), Rita – como quer ser chamada uma senhora de 80 anos que acredita ter se contaminado há três anos, numa transfusão de sangue – jamais imaginou se ver nessa situação. Casou-se aos 53 anos e está viúva há 17. “Sempre tive uma vida tranqüila. Nunca fui promíscua”, comenta ela, que é serventuária aposentada da Justiça estadual do Rio de Janeiro.

“A primeira reação dela foi de incredulidade”, lembra uma sobrinha. “Depois, veio a depressão. Os efeitos dos remédios são terríveis nessa idade, pois pioram doenças já existentes.” Hoje a paciente diz que leva uma vida normal. Mora sozinha e mantém hábitos sociais. “Só não tem viajado porque é tudo muito recente”, comenta a sobrinha. “O pior da doença é a discriminação”, diz Rita. Por causa do preconceito que ainda cerca os doentes, ela preferiu não se identificar na entrevista. Quando o grupo estudado é o dos idosos portadores do HIV em Goiás, outra característica diferente da epidemia na população geral – que começou entre homossexuais – é a predominância dos doentes heterossexuais, desde o início.

O Centro de Apoio ao Doente de Aids (Cada) tem três doentes de aids em idosos na sua clientela. Todos se declararam heterossexuais. Um era de Goiânia e procurou a entidade para orientar-se se devia revelar ou não à mulher o fato. Acreditava ter contraído o vírus numa relação extraconjugal há cinco anos. Foi orientado a contar, mas nunca mais voltou à entidade.

Outro vivia com uma portadora, tinha consciência disso, mas nunca se preveniu. Não compreendia o risco que corria. O último e mais recente, descobriu que estava doente depois de sofrer um desmaio. Sequer sabia o que era a doença e nunca havia ouvido falar em camisinha. “Esses casos nos mostraram que há uma carência enorme de ações preventivas entre idosos, principalmente na zona rural”, comenta a coordenadora de projetos do Cada, Sinamour Mariza Lima Pereira. Em função da demanda crescente, a entidade estuda projetos direcionados a esse público.

Subnotificação mascara estatísticas

Integrante do Grupo Técnico sobre Envelhecimento e Aids do Ministério da Saúde, o médico Fernando Ferry alerta que o número de casos de aids em idosos no Brasil é muito superior ao que aparece nas estatísticas. Ele observa que a identificação da doença nessa faixa etária é muito difícil de ocorrer. Segundo ele, muitos idosos estão falecendo nas emergências e demais serviços sem que a maioria dos médicos consiga chegar ao diagnóstico por não incluírem a doença no grupo de enfermidades que acometem pessoas dessa idade.

“Mesmo entre os profissionais, a aids entre idosos ainda é um tabu. Muitos ainda acham que o idoso não tem vida sexual.” Os infectologistas Crhistiane Kobal e Boaventura Braz de Queiróz, diretor-geral do Hospital de Doenças Tropicais (HDT), unidade de referência no tratamento da aids no Estado, concordam com Ferry. Eles alertam que uma manifestação comum no idoso que pode ser sinal da aids é a herpes zóster, doença causada pelo mesmo vírus da varicela. Os dois chegaram a diagnósticos de aids em pacientes seus a partir da doença.

Além do problema da subnotificação, Fernando Ferry assinala o aumento da sobrevida como um dos fatores que ajudam a mascarar as estatísticas. Ele lembra que, em 1997, quando o tratamento anti-retroviral foi disponibilizado pelo Ministério da Saúde, aumentando a sobrevida do portador, muitos doentes tinham mais de 53 anos. “Essas pessoas envelheceram com o HIV, mas não estão incluídas no grupo dessa faixa etária, que considera a data de notificação.”

Pesquisas estimularam programas de prevenção

A inclusão da terceira idade nos programas de prevenção da Coordenação Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs)/Aids pelo Ministério da Saúde é recente. Foi estimulada pela publicação de pesquisas feitas pela equipe do Hospital Gaffrée e Guinle, do Rio de Janeiro, demonstrando o crescimento da doença nessa faixa etária. Na época foi criado o grupo técnico que está estudando as melhores estratégias de atuação nessa população. Já está definido que o Ministério da Saúde vai buscar parcerias com instituições e entidades públicas e privadas que trabalham com idosos.

Um documento com dados sobre o crescimento da doença e orientações com relação à prevenção e o tratamento está sendo divulgado entre entidades representantivas dos profissionais de saúde. O objetivo é despertá-los para o fato e estimulá-los a contribuir como multiplicadores de informação e como agentes diretos contra a propagação da enfermidade.

O médico que faz o diagnóstico e orienta corretamente o paciente evita o contágio de outras pessoas. A gerente de Desenvolvimento do Sistema e das Ações de Saúde da Superintendência de Políticas de Atenção Integral à Saúde (Spais), Mabel del Socorro Cala de Rodriguez, confirma que os profissionais de saúde ainda não atentaram para a necessidade de trabalhar a prevenção da aids entre idosos. “Estamos procurando reverter esse quadro nas capacitações de servidores da rede pública que atendem esses pacientes.”

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Jornal Diário da Manhã, Coluna Fio Direto, Thiago Marques - 15.11.04

Entre os dias 16 e 20 deste mês, o Crer promove a II Jornada Científica, com eventos que discutirão paralisia cerebral e lesão medular.

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