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Segunda-feira, 25.10.04

Pensamento do dia

A inveja, a raiva e os insultos, quando não aceitos, continuam pertencendo a quem os carrega consigo

Proverbio Zen


Obrigado deve concordar com o sujeito em gênero e número, assumindo as flexões: obrigado, obrigada, obrigados, obrigadas.

Obrigada, disse Célia.

Obrigado, respondeu o reitor.


 
Colaboração: Iracema Dantas

 

CLIPPING

Veja os destaques de hoje:

1. Aniversário da OVG
2. Restaurante Cidadão
3. 3ª Semana do Servidor Público
4. Mestrado de Administração na UEG
5. Artigo: “O mundo especial”
6. Comportamento: a arte de ser pai dos pais
7. Artigos sobre como melhorar a distribuição de renda e execução de programas sociais no Brasil


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Site de Notícias: www.noticiasdegoias.go.gov.br - 25.10.04


OVG completa 57 anos com apresentação cultural

Nesta quarta-feira, 27, a Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) completa 57 anos de sua fundação. Para comemorar a data, a instituição programou uma série de atividades, a partir das 10 horas. O evento contará com apresentação cultural dos alunos do Projeto Arte Educação, que é desenvolvido pela Fundação Jaime Câmara, e com a bênção do arcebispo de Goiânia Dom Washington Cruz. Um bolo especial, feito por alunos do curso de Produtos Alimentares das Oficinas Educacionais Comunitárias (OECs), será servido aos convidados.

Além da presidente da OVG, Valéria Perillo, dos coordenadores e funcionários da instituição, várias autoridades foram convidadas para participar da festa de aniversário, que acontecerá na sede da instituição. Ao comemorar os 57 anos da OVG, Valéria Perillo destaca o grande trabalho social que a instituição vem desenvolvendo em prol da população de baixa renda desde quando foi fundada. Segundo ela, ao assumir a presidência da entidade, em 1999, procurou ampliar as ações, criando novos programas com o objetivo de melhorar o trabalho social em Goiás.

Os programas e unidades da OVG criados na gestão de Valéria Perillo foram: Restaurante Cidadão, Centro de Convivência Sagrada Família (idosos), Oficinas Educacionais Comunitárias (jovens e adolescentes), Unidade de Produção (cadeiras de rodas, enxovais, malhas compressivas e fraldas descartáveis), Centro Goiano de Voluntários, Bolsa Universitária, Meninas de Luz, Natal na Praça, Criança Brincando o Natal e Informática ao Alcance de Todos.

Os alunos do Projeto Arte Educação farão uma apresentação cultural sobre o Estado de Goiás. O projeto oferece apoio à comunidade estudantil de 6 a 14 anos. O projeto oferece atividades para 800 alunos, distribuídos em quatro núcleos: Riviera, Finsocial, Sudoeste e Vila Rosa, onde todos participam de cursos de artes visuais, artes cênicas, capoeira, dança, música (coral e percussão), cantinho de leitura e atividade pedagógica, além de visitas a centros de difusão cultural.

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Jornal Diário da Manhã, Coluna Daura Sabino - 24.10.04

Aniversário

 

Na próxima quarta-feira, a presidente da OVG, Valéria Perillo, participa das comemorações aos 57 anos da entidade. O evento está marcado para as 10 horas na sede da Organização das Voluntárias de Goiás. A festa, com direito a bolo preparado pelos alunos de Produtos Alimentares das Oficinas Comunitárias Educacionais, unidade da OVG, terá também apresentação cultural de crianças do projeto Arte Educação e bênção do arcebispo de Goiânia, Dom Washington Cruz.

 

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Site de Notícias: www.noticiasdegoias.go.gov.br - 25.10.04

 

Campinas deve ganhar Restaurante Cidadão até o final do ano

A presidente da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), Valéria Perillo, reiterou hoje que o projeto do Restaurante Cidadão, em Campinas, deverá mesmo ser instalado até o final deste ano. Por enquanto, o processo está em fase de acertos. A idéia de Valéria Perillo é alugar um prédio e agilizar, em tempo hábil, as adaptações necessárias para que o restaurante comece a funcionar ainda este ano.

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Jornal Diário da Manhã, Coluna Geléia Geral, Luiz Augusto Pampinha 23.10.04

Valéria Perillo anuncia a inauguração do Restaurante Cidadão, no bairro de Campinas, para quando dezembro chegar. Um presente e tanto de Papai Noel .

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Jornal Opção, Editoria de Política - 24 a 30.10.04

Funcionalismo Público
Cultura e cidadania na Semana do Servidor


Evento estreita relacionamento do funcionalismo público estadual com o governo

Guillermo Rivera

A surpreendente virada que Marconi Perillo (PSDB) conseguiu nas eleições de 1998, quando conseguiu seu primeiro mandato de governador do Estado de Goiás, é atribuída por muitas pessoas à adesão do funcionalismo público estadual. Descontentes com a gestão do PMDB, eles se uniram em torno da candidatura do PSDB, e seus votos foram decisivos para a vitória da oposição.

A recompensa do funcionalismo público estadual foi uma gestão que privilegiou sua área, capacitando profissionais, melhorando remunerações e humanizando relações. Prova disso é a 3ª Semana do Servidor Público do Estado de Goiás, que acontece entre os dias 25 a 27 de outubro, no Clube Sesc Faiçalville. Promovida pelo governo de Goiás através da Agência Goiana de Administração e Negócios Públicos (Aganp), a semana foi criada em 2002 para comemorar o Dia do Funcionário Público, no dia 28 de outubro. Nos três dias desta edição da semana, servidores públicos estaduais dos três poderes usufruirão de uma ampla gama de opções de lazer, como shows, apresentações culturais, feiras de artesanato e de alimentos. Jeovalter Correia Santos, presidente da Aganp, considera a Semana do Servidor como um espaço de reflexão, confraternização, integração e, acima de tudo, valorização do servidor público. “Antes, comemorar se resumia a colocar uma nota no jornal. Agora, temos a Semana do Servidor Público.”

O evento, explica, aproveita a data do Dia do Servidor Público para expor o talento dos servidores estaduais. Outro ponto importante da Semana do Servidor Público é o espírito de congregação informal que, segundo Jeovalter Correia, é uma tendência bem-sucedida nas grandes corporações. “E o Estado é uma grande corporação”, observa. São, afinal, cerca de 150 mil servidores públicos estaduais, entre ativos e inativos. Desses, aproximadamente 37 mil são inativos e 113 mil, ativos.

Em Goiânia, local de realização dos eventos, são cerca de 60 mil funcionários públicos estaduais ativos. “Esperamos que, desses 60 mil, entre 15 e 20 mil participem das comemorações”, calcula o presidente da Aganp. As comemorações, no entanto, serão à noite, para não afetar o bom funcionamento da máquina estadual. “Com exceção dos atletas que estão disputando os eventos esportivos, ninguém sai mais cedo. Mas não há mordomias para ninguém.”

Capacitação e doações - Haverá, ainda, vários eventos paralelos que se inserem, de modo geral, na programação da Semana do Servidor Público. Um deles é o Programa Universidade Corporativa, que será lançado na segunda-feira, 25, junto com a abertura oficial da Semana do Servidor. O Programa Universidade Corporativa é, segundo a Aganp, “um conceito inovador de capacitação de pessoas, diferente até na sua forma de atuar”. Este programa trabalha para qualificar o servidor ensinando-o competências que não são tradicionalmente trabalhadas em universidades ou cursos técnicos, mas que são essenciais ao cotidiano das repartições públicas. Ou, segundo Jeovalter Correia, é um curso que verticaliza os ensinamentos — diferindo, portanto, de um curso de reciclagem tradicional. “A idéia é formar massa crítica no seio dos servidores para institucionalizar, formular e gerir políticas públicas, independentemete do gestor que esteja no poder”, explica.

Outros projetos concomitantes com a Semana do Servidor Público são a Campanha de Arrecadação de Alimentos Servidor Solidário, cujo nome é auto-explicativo, e a Campanha Estenda o Braço, de doação de sangue. A Campanha Servidor Solidário é realizada desde a primeira edição da Semana do Servidor, e a intenção, neste ano, é de superar as seis toneladas de alimento arrecadadas no ano passado, segundo a Aganp. “O Servidor Solidário coloca o funcionário como um cidadão preocupado com as questões sociais, e passa ao serviço público uma responsabilidade social”, explica Jeovalter Correia. Mas, segundo o presidente da Aganp, só recebem alimentos as entidades filantrópicas cadastradas pela Organização das Voluntárias de Goiás (OVG).

Já a Campanha Estenda o Braço está em sua primeira edição, mas pode ser catalogada como um sucesso. Segundo a Aganp, “até a primeira semana de outubro, mais de 400 voluntários haviam se apresentado à unidade móvel do Hemocentro, beneficiário direto da iniciativa idealizada pela Associação dos Gestores Governamentais de Goiás (Aggesgo), com o apoio da Aganp, Agência Goiana de Comunicação (Agecom) e Secretaria do Estado da Saúde (SES)”.

Outra das novidades da 3ª Semana do Servidor Público é o Concurso de Desenho Infantil. A participação é exclusiva para os filhos, entre 6 e 12 anos de idade, dos funcionários públicos estaduais. Quatro desenhos em cada uma das categorias ( 6 a 8 anos, 9 a 10 e 11 a 12) serão escolhidos para ilustrar o calendário do próximo ano, a ser distribuído nos diversos órgãos públicos estaduais. Os vencedores ganharão, ainda, cadernetas de poupança nos valores de 400, 300, 200 e 100 reais.

Um outro programa de incentivo ao talento artístico dos servidores é o 1º Festival de Música Incentiva Talentos. Trinta e uma pessoas concorrerão, e as três primeiras colocadas ganharão prêmios de 3, 2 ou 1 mil reais. As apresentações serão realizadas em duplas, em grupos ou solo. Não há restrição quanto ao gênero ou estilo musical, mas as letras das músicas devem ser cantadas em português. “Muitos dos servidores, além do talento administrativo, têm outros talentos escondidos”, afirma o presidente da Aganp.

PROGRAMAÇÃO

Dia 25/10

10h – Lançamento oficial da 3ª Semana do Servidor Público e do Programa Universidade Corporativa do Estado de Goiás – Palácio Pedro Ludovico Teixeira
15h – Início das competições esportivas e recreativas
17h – Saída dos servidores dos órgãos em direção ao Sesc Faiçalville
17h – Recepção aos servidores com grupo musical
17h – Início do Concurso de Desenho Infantil no Ateliê de Desenho, feira de artesanato, alimentos, saúde e qualidade de vida
18h30 – Abertura da 3ª Semana do Servidor Público do Estado de Goiás
19h – Apresentação artística – Escola de Arte Veiga Valle
19h30 – Apresentação do Coral Especial da Melhor Idade
19h45 – Apresentação – Talentos da Dança
21h30 – Apresentação de dança do ventre, com Nair Ribeiro
21h45 – Resultado da disputa Talentos da Dança 22h – Show com o grupo de forró Zambumba Beach

Dia 26/10

15h – Competições esportivas e recreativas
17h – Saída dos servidores dos órgãos em direção ao Sesc Faiçalville
17h – Recepção aos servidores com grupo musical
17h – Concurso de Desenho Infantil no Ateliê de Desenho, feira de artesanato, alimentos, saúde e qualidade de vida
19h – Apresentação artística – Corpo de Bombeiros
19h45 – Apresentação do 1º Festival de Música do Servidor
21h30 – Apresentação artística
22h – Resultado do 1º Festival de Música do Servidor 22h30 – Show de axé com Maristella Miller

Dia 27/10

15h – Competições esportivas e recreativas
17h – Saída dos servidores dos órgãos em direção ao Sesc Faiçalville
17h – Recepção aos servidores com grupo musical
17h – Concurso de Desenho Infantil no Ateliê de Desenho, feira de artesanato, alimentos, saúde e qualidade de vida
19h – Entrega de premiação: 2º Concurso idéias.gov – Everlan Soares, competições esportivas e recreativas
20h – Entrega de premiação: Campanha de Doação de Alimentos Servidor Solidário, com entrega simbólica de alimentos para entidades cadastradas à OVG
20h15 – Entrega de premiação: órgão ganhador da Campanha de Doação de Sangue – Estenda o Braço
20h30 – Apresentação artística e entrega de premiação aos ganhadores do 1º Festival de Música do Servidor e Talentos de Dança 22h – Show com a banda Rastapé

 

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Jornal Diário da Manhã, Editoria de Cidades - 25.10.04

Talento
Comemorações

Começa hoje Terceira Semana do Servidor Público, no Sesc Faiçalville

Da Redação


A terceira edição da Semana do Servidor Público do Estado de Goiás – Integração e Valorização – tem início hoje e vai até o dia 27 de outubro, no Sesc Faiçalville. Durante três dias, os funcionários do Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e seus familiares poderão aproveitar a programação, que inclui competições esportivas, atrações culturais, feira de alimentos, artesanato, entre outras atividades. Além disso, eles terão a oportunidade de revelar seus talentos, já que serão realizados o 1º Festival de Música do Servidor e o Concurso de Desenho Minha Cidade, Meu Mundo 2005.


O governador Marconi Perillo lança às 10 horas, na sede do Sesc Faiçalville, a Terceira Semana do Servidor e o Programa Universidade Corporativa, um novo conceito de capacitação de pessoas, que não necessita de instalações físicas especiais e distintas.


“A idéia é investir mais no servidor para que ele crie projetos com aplicação prática na administração estadual, além de estimular o surgimento de idéias inovadoras e garantir a modernização contínua do Estado”, explica o presidente da Agência Goiana de Administração e Negócios Públicos (Aganp), Jeovalter Correia. Por meio de um concurso interno será escolhido um grupo de 300 servidores para formar a primeira turma.


A Terceira Semana do Servidor Público é promovida pelo Governo de Goiás por meio da Aganp para comemorar o Dia do Funcionário Público. A expectativa da organização é de receber 7 mil pessoas por dia, um aumento de 40% de público em relação ao ano passado. Durante a semana também será realizada uma campanha de arrecadação de alimentos e de doação de sangue.

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Jornal O Popular, Coluna Giro, João Unes - 25.10.04

Servidor - Marconi Perillo abre hoje a semana do servidor do Estado, no Sesc Faiçalville. Depois, recebe o embaixador do Japão, Takahiko Horimura.

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Jornal Diário da Manhã, Coluna Fio Direto, Ivan Mendonça - 24.10.04

Marconi Perillo abre amanhã a Semana do Servidor Público e lança o Programa Universidade Corporativa de Goiás. Boa iniciativa.

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Jornal Diário da Manhã, Coluna Café da Manhã, Suely Arantes - 23.10.04

Os funcionários da AGDR entregaram à OVG 299 quilos de alimentos arrecadados durante a 3ª Semana do Servidor Público.

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Jornal Diário da Manhã, Informe Publicitário CRA Espaço Empreendedor 23.10.04

MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO

Governador autoriza criação do curso na UEG

A criação em Goiás do curso de Mestrado em Administração foi autorizada pelo governador Marconi Perillo, atendendo a apelo formulado pelo CRA GO/TO e SINAGO Sindicato dos Administradores de Goiânia. A decisão foi comunicada no dia 22 de outubro ao Adm. Samuel Albernaz pelo reitor da UEG - Universidade Estadual de Goiás, Prof. José Izecias de Oliveira, que anunciou os preparativos para implantação do curso já a partir de 2005.Durante o encontro, o Reitor da UEG adiantou que, em face do empenho do Governador, o curso já está aprovado pelo PPA - Plano Plurianual da Instituição e que agora serão iniciadas gestões visando a imediata assinatura de convênio e implementação das parcerias.   O Presidente do CRA GO/TO e do SINAGO falou da importância de criação e implantação definitiva do Mestrado em Administração, lembrando tratar-se de uma iniciativa pioneira em Goiás que vem atender aos anseios da categoria. Assinalou que

existe em Goiás uma carência muito grande de professores-mestres para os cursos de graduação, além da necessidade imperiosa de formação de pesquisadores de alto nível.Aproveitou para agradecer o empenho do governador Marconi Perillo e da 1ª dama Valéria Perillo, que foram sensíveis aos apelos das duas entidades. Estendeu os agradecimentos ao reitor José Izecias, pelo empenho e agilidade na execução do projeto.

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Jornal Diário da Manhã, Editoria de Opinião - 24.10.04

O mundo especial  

Não é fácil a vida de pais de criança especial. Por mais que a gente tente dar uma de herói, exemplo de vida, superação, etc., a barra é pesada. A princípio, rola raiva, revolta, incompreensão, um punhado de sentimentos que nos levam para baixo.


A gente sempre espera um filho perfeito, igual aos outros, que freqüente a escola regular, preste vestibular, namore, case e tenha filhos, que serão os nossos netos. E por aí vai. Quando, por defeito de fabricação ou um acidente qualquer, a coisa muda, é um bode danado. Tudo bem.


Passei por tudo isso quando do nascimento de meu filho João Vitor. Incerteza, desalento, vontade de desistir... Muito medo. Muita ansiedade e dúvidas. Não foi fácil. Não é fácil.


O tempo passou. O João Vitor cresceu, ganhou seu espaço, tomou conta da casa, construiu sua personalidade (e que personalidade!), virou gente (ainda miúdo, mas gente). Invadiu meu coração. E me deu uma enorme lição de vida. Me ensinou que uma criança especial não é um castigo e nem um fardo, mas sim, um grande presente.


É um aprendizado difícil e complicado. Exige muita paciência, compreensão e persistência, acima de tudo. Mas, se a gente abrir o coração, aprendemos com facilidade.


Ser pai de uma criança especial, um portador da síndrome de Down, como é meu caso, requer, sobretudo, aprender a dar e receber amor. O João Vitor é o meu professor nesta disciplina.

Nas últimas semanas, o João Vitor começou a voar. Escola de natação três vezes por semana e visitas à escola regular, algumas vezes. É um momento mobilizador para qualquer pai. Pra mim, é desafiador e muito bonito. Embora não seja fácil. O coração fica apertado de ver o pequeno batendo as asinhas para o mundo, tão cruel, mas ao mesmo tempo acolhedor.


Conheci também uma escola/clínica: o Despertar, comandado por uma profissional muito competente e muito humana que mais parece um anjo, a Norair Auxiliadora Fleury Patto. Eles são especilizados no atendimento de pessoas com as mais diversas deficiências, seja no campo físico ou mental. É uma experiência ímpar vivenciar este universo, que pouco conhecemos dele.


A gente descobre o valor das pequenas coisas. A profundidade de um sorriso, o significado de um olhar, a força de uma única palavra. São pequenas aquisições, conquistas desprezíveis, invisíveis e mecânicas para os tidos normais, que representam uma infinidade para estas pessoas, seus pais e os educadores.


Esta é a minha vida ultimamente. Se já me aproximava destes valores e me distanciava do mundo material e que coloca a busca do prazer e da beleza exterior como fundamental, agora é que trilho o caminho sem volta. Cada vez mais disposto a mergulhar no mundo especial, cujas portas o João Vitor me abriu e eu começo a descobrir plenamente. E com muita paixão.


O que no início se apresentou como uma dor, hoje é um grande prazer.


João Bosco Bittencourt é diretor de Redação do DM e escreve todos os domingos neste espaço
E-mail: joao_bittencourt@uol.com.br

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Jornal Diário da Manhã, Editoria DM Revista - 24.10.04

Comportamento
A arte de ser pai dos pais

Passar a cuidar dos próprios pais é um desafio mais complicado e delicado do que parece ser

Allyson de Sousa

Você não consegue identificar o ponto zero, o momento exato dessa inversão de papéis, mas existe um instante em que acordamos e percebemos que, agora, somos pais de nossos pais. Você se pega ligando três vezes por dia para saber se a mãe tomou o remédio na hora certa, se o pai dormiu bem. Depois de uma certa idade, os filhos passam a cuidar dos pais, uma inversão natural, inevitável, mas nem sempre tranqüila para ambos os lados. Não existem segredos capitais para manter esse relacionamento, mas o importante é sempre balancear os atos: não negligenciar nem superproteger.


No entanto, os pais nem sempre se sentem à vontade para receber essa atenção especial. Não querem dar trabalho, como dizem. Também associam o cuidado à perda de autonomia. Outras complicações advêm do conflito de gerações, necessidades diferenciadas e um ritmo de vida peculiar. Segundo o autônomo Joemir Rosa Borges, 53, o mais importante é nunca deixar de dialogar, mostrando para o idoso que vive com os familiares que ele é parte importante da vida de cada um da família. “Aqui em casa, a primeira e a última palavra é dela”, decreta.


Ele se refere a Ilda de Jesus, 71, que mora com dois filhos e um sobrinho no Setor São José. Mãe e filho ressaltam a importância da prática de atividades fora do lar para que o idoso não desenvolva quadros depressivos ou carência. “Gosto de ir para a Associação de Idosos. Lá, faço dança portuguesa e bordado. Chego em casa de alma lavada. Meus filhos se interessam, e sempre me perguntam se estou gostando”, relata Ilda.


Muito diálogo, com direito a desentendimentos construtivos. Esta também é a fórmula que a estudante Milcidiane Cordeiro dos Santos, 17, escolheu para manter o nível de vivacidade da avó materna, Helena Cordeiro, 65, que mora com a família há nove anos. “Eu e minha avó conversamos sobre tudo. De vez em quando, temos uns conflitos, mas a gente tem de ter muita compreensão, relevar muitas coisas, até porque os conflitos aparecem por causa da diferença de idade. Os valores sempre colidem, o que é uma forma de enriquecimento, tanto para mim quanto para ela”, afirma.


Helena Cordeiro só saiu ilesa da pior situação de sua vida – a morte do filho mais velho, Ademar, 35, em um acidente de automóvel – devido ao carinho dos filhos. “Foi a única vez em que entrei em depressão. Minha família foi importante, me consolando, não me deixando sozinha e me oferecendo o aconchego que precisava”, lembra.


Essa relação se complicou à medida que a longevidade da população mundial aumenta. Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística relativos ao último Censo revelam que existem 15 milhões de idosos no Brasil, totalizando 9% da população. Projeções estimam que, mantidos os níveis de crescimento da população idosa no País, o número de brasileiros maiores de 60 anos poderá dobrar nas próximas décadas, chegando a 30 milhões em 2020.


O dinheiro no bolso dos idosos também aumentou. Nos últimos 13 anos, o poder aquisitivo médio dos maiores de 60 anos no Brasil cresceu 63%. Mais da metade deles (62,4%) é responsável palo sustento de seus lares ou participa ativamente da despesa. No Centro-Oeste, o aumento do nível médio dos rendimentos dos idosos foi ainda maior: 71,4%, com uma renda mensal média de R$ 754.


Os cuidados com os pais seguiram nesse caminho, avançando junto com esses números. Antigamente, era o que se dizia “não deixar faltar o básico”. Hoje, os jovens pensam na melhor qualidade de vida que podem dar aos pais - pensando na sua própria velhice futura.

Alguns filmes que retratam a inversão de papéis entre pais e filhos:

  • As Invasões Bárbaras, de Denys Arcand
  • Adeus, Lenin!, de Wolfgang Becker
  • A Arte de Viver, de Ang Lee
  • Laços de Ternura, de James L. Brooks
  • Como Água para Chocolate, de A. Arauto

Mantendo o entusiasmo

Para evitar que os pais idosos desenvolvam processos de carência e falta de afetividade, é bom que os filhos estejam atentos para os seguintes cuidados:

? Procurar não manter o idoso unicamente em seu círculo familiar.

? Favorecer atividades que possibilitem um convívio social mais amplo, como oficinas de teatro, escolas de música e centros de convivência.

? Incentivar a memória. Uma forma eficaz de se obter isto é conversar com ele sobre eventos históricos que ele tenha presenciado, ou que tenham sido seus contemporâneos.

? Mantê-lo antenado com o mundo. Comente o noticiário televisivo do dia ou aquela manchete de jornal com ele.

? Valorizar a experiência. Procure a opinião dele para as situações de impasse. Faça com que os anos que ele carrega sejam sua maior qualidade.

? Respeitar o processo do envelhecimento. Lembre-se de que seu pai já não tem a mesma energia de antes. Por isso, nada de entregar os filhos para que ele possa cuidar. Os avós não têm a mesma disposição de quando eram pais.

? No caso de idosos dependentes e semi-dependentes por conta de estágios avançados de doenças, a melhor dica é não sobrecarregar um só membro da família com os cuidados especiais que eles demandam. O ideal é contratar um profissional da área (auxiliares e técnicos de enfermagem são ideais).


Números da longevidade

  • 30 é o número de idosos por cada 100 crianças no Brasil em 2020.
  • 24.576 é o número de centenários brasileiros.
  • 1,9 bilhões de idosos integrarão a população mundial em 2050.
  • 2,2 milhões de maiores de 100 anos viverão no planeta daqui a 46 anos.


A vida começa aos 50

Apesar da preocupação mais acentuada dos fi-lhos com os pais atualmente, o psicólogo Wadson Arantes Gama, diretor do Grupo Senhoras do Cerrado, diz que os exemplos coligidos pelo Diário da Manhã nessa reportagem são exceções à regra de um estado de abandono que não é percebido, nem mesmo, pelos próprios familiares. “A esse respeito, nos comportamos como aquelas tribos indígenas nômades que abandonam seus membros que vão envelhecendo no meio do caminho, só que de uma forma velada”, avalia.


Para ele, a principal causa para este tipo de comportamento reside em idéas preconcebidas do século passado que ainda trazemos como valores. “Tendemos a achar que as pessoas que não fazem mais parte do processo produtivo não possuem condições de ter vida social, como acontece freqüentemente com os aposentados. Isso é uma herança da era industrial”, observa.


Wadson assinala que os avanços da medicina e o aumento da qualidade e da expectativa de vida vêm determinando um novo quadro de transformações. “Hoje em dia, é muito comum você se deparar com pessoas que estão, de fato, começando a vida aos 50” , comenta. Para o psicólogo, esse processo de alongamento qualitativo da vida requer um posicionamento cada vez mais anticonvencional por parte dos filhos.


Além de aparelhos para aumentar o conforto material, é necessário compreender que uma das novidades destes novos tempos é que a vida foi ampliada para além dos 60 anos. “Não existe uma receita de bolo. A velhice não é a encruzilhada da vida, o fim de tudo, mas apenas mais uma fase de nossa trajetória, e tem de ser vivida com a mesma vivacidade e o mesmo entusiasmo”, conclui.


Um exemplo desse entusiasmo é Margarida Lima, 69, três filhos, seis netos, há seis anos em Goiânia. Separada da filha, que foi tentar a sorte nos Estados Unidos, ela leva uma vida normal, mesmo morando sozinha desde então. Grava comerciais para TV desde 2001, participou de campanhas publicitárias de shopping centers e peças institucionais da prefeitura. Atualmente se prepara para estrear com o espetáculo Vênus Desnuda, em 4 de novembro, no Goiânia em Cena. “Apesar de morar sozinha, não consigo passar um dia sem fazer algum tipo de contato com meus filhos e netos. Viajo pelo menos uma vez a cada três meses para os Estados Unidos para vê-los, apesar do medo de avião que tenho”, afirma. Margarida salienta a importância de Goiânia para seu nível de qualidade de vida. “Se não fosse esta cidade, provavelmente eu não conseguiria ter o meu estilo de vida. Quando vou para São Paulo ou para os EUA, fico vegetando.”


Associação dos Idosos do Brasil (AIB)
Serviços : promoção de eventos ligados a entretenimento e discussões voltadas para os principais problemas à terceira idade, além de oficinas de teatro e cursos nas áreas de formação técnica e artesanato.
Endereço : Rua Francisco C. Cunha, Qd. 63-A, Lt. 23 nº 36, Setor Aeroporto.
Fone : 212-9568

 

Grupo Senhoras do Cerrado
Serviço : dedicado a dar formação teatral a idosos, realiza ensaios no Teatro Inacabado.
Endereço : os interessados poderão se dirigir ao Espaço Vivencial, na Rua R-12, Qd. R-18, Lt. 4 nº 415, Setor Oeste.
Fone : 251-2723

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Jornal O Popular, Editoria de Opinião - 24.10.04

Como melhorar a distribuição de renda e
a execução de programas sociais no Brasil?

É preciso repensar socialmente o País

Todo governante quando assume seu mandato assume o compromisso de combater a fome, ajudar os mais necessitados e distribuir renda. Ao lidar com uma realidade financeira sem muito dinheiro para gastar e uma dificuldade enorme de gerenciar os programas sociais, acaba não atingindo seus objetivos, colocando em dificuldade sua bandeira de campanha. Será que os programas sociais são realmente formulados para distribuir renda? Quais alternativas devem ser criadas?

Jeferson de Castro Vieira

O Brasil ainda não tem um verdadeiro “mapa da fome”. As projeções de que quase 50 milhões de pessoas vivem abaixo do nível de pobreza são muito discutíveis, pois não há um entendimento preciso do conceito de pobreza. Como definir o que são necessidades não atendidas de forma adequada ao cidadão? Além de os dados não serem corretos, colocaram a gestão do governo Lula de saia justa com a meta ambiciosa de cadastrar até o final do mandato cerca de 10 milhões de famílias. Quem trabalha com estatística sabe que é muito difícil cadastrar tantas famílias sem incorrer em inúmeras injunções políticas e falseados dados de renda familiar.

Ações de fiscalização e controle na execução dos programas sociais dos governos não faltam. São milhares de inspeções em prefeituras pelo País afora. O programa Bolsa Escola, por exemplo, objetiva o repasse direto de recursos para crianças de famílias de menor renda, contribuindo para a redução da evasão escolar e da repetência. Não se pode condenar um programa como esse se algumas irregularidades forem encontradas entre os beneficiários com indício de renda per capita superior ao determinado pelo programa e deficiência no controle da freqüência pelas prefeituras.

Só com a montagem de sistemas de monitoramento das ações, da ampliação de mecanismos de controle, de uma verdadeira participação da sociedade civil organizada será possível “compartilhar responsabilidades” de aplicação do dinheiro público. Antigamente, as pessoas reclamavam que havia uma centralização da verba federal. Hoje, grande parte dos programas são descentralizados, com recursos repassados a municípios e Estados. A execução dos programas tem o controle dos Tribunais de Contas dos Estados e dos Ministérios Públicos estaduais. Talvez falte uma melhor capacitação de gestores e de conselheiros desses programas.

Falhas no sistema de controle dos programas sociais acontecem e precisam de correções, pois lidam com seres humanos. Uma idéia interessante é a unificação dos cadastros federal, estadual e municipal. É um absurdo cada um ter seu cadastro separadamente. Isso apenas cria duplicidade de ações, uma má utilização dos recursos públicos. Com cadastro único e unificação também dos programas com certeza os pobres não seriam penalizados como são.

Ninguém pode negar que há uma enorme injustiça no Brasil. Os dados do IBGE apontam que 28% dos brasileiros vivem em famílias em que a renda por cabeça não passa de meio salário mínimo, 130 reais por mês ou R$ 4,33 por dia. Sem os programas assistenciais essa faixa da população não conseguiria sobreviver. A concentração de renda nesse País é muito séria. Ela ficou na mesma nos anos em que o País cresceu um pouco, de 1993 a 1997.

Nos anos de estagnação, a partir de 1999, a distribuição de renda melhorou, mas só porque os ricos ficaram mais pobres – os pobres não têm como ficar ainda mais miseráveis. Não fossem os programas de inclusão social dos governos e a ajuda de milhares de projetos sociais patrocinados pela iniciativa privada ou por ONGs dos mais diferentes matizes, a situação seria pior.

A depender da renda do trabalho, a miséria teria aumentado. Não há trabalho suficiente para os pobres, cresça ou não a economia, pelos menos é o que mostram os indicadores sociais dos últimos 23 anos.

É importante apostar na responsabilidade social como instrumento de mudança da realidade brasileira. Se o modelo econômico brasileiro não criar oportunidades para os excluídos da sociedade, com certeza os programas sociais continuarão como mera estratégia de sobrevivência para uma parte significativa do Brasil. O problema é que o governo meteu-se em tantas armadilhas que já não há como livrar-se. Caiu, voluntariamente, na esparrela das metas impossíveis de corte de gastos públicos para assegurar a segurança dos credores, com superávit primário (receita menos despesa, excluído o pagamento de juros) de 4,5% do PIB. Como a política econômica não muda seu rumo porque a equipe econômica é “moderada”, resta apostar as fichas em outras alternativas sociais.

Nesse sentido, empresas que praticam responsabilidade social em todo o País devem ser elogiadas. Amparadas pelo investimento de empresas e entidades do terceiro setor, muitas pessoas estão conseguindo superar os horizontes da pobreza e já podem traçar um novo roteiro para suas vidas. Elas são produto de investimento social. A história social dos excluídos no Brasil será realmente mudada quando inúmeras empresas e empresários investirem em projetos de responsabilidade social.

Programas sociais governamentais são importantes, mas não vão acabar com as desigualdades. A sociedade não pode ficar esperando que apenas o governo resolva os dramas do nosso dia-a-dia. É preciso criar um movimento de solidariedade, de responsabilidade social, de fortalecimento da economia solidária. Se não é possível distribuir renda com esse modelo econômico, que pelo menos se crie oportunidade para abrir caminhos produtivos na vida daqueles que estão sendo excluídos da sociedade.

Jeferson de Castro Vieira é economista, doutor pela UnB e professor do Departamento de Economia da UCG

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Acabar com privilégios exige coragem

A distribuição de renda, riqueza e terra no Brasil reflete o modelo de ocupação do território desenvolvido inicialmente pelos colonizadores portugueses e depois mantido pelas classes políticas e econômicas hegemônicas descendentes direta ou indiretamente dos mesmos. O Estado brasileiro e modelo de desenvolvimento adotado sempre serviram aos interesses desses grupos.

Flavio Luiz Schieck Valente

Dados do governo Brasileiro demonstram que apesar do crescimento do PIB os níveis de desigualdade vêm perversamente se mantendo ao longo dos últimos 40 anos, com os 10% mais ricos controlando 50% da renda do País e os 50% mais pobres ficando com 10% da renda. Em relação à concentração da propriedade da terra e da riqueza a situação ainda é mais grave. Ao mesmo tempo, em nível internacional, aprofundam-se as diferenças entre os países mais ricos e os mais pobres, em especial devido aos exorbitantes juros e serviços relativos ao pagamento da dívida externa.

Não é por acaso que as populações pobres e miseráveis do País são majoritariamente aquelas descendentes dos povos originais que ocupavam - à época da invasão portuguesa - o território que é hoje conhecido por Brasil e dos escravos africanos trazidos para a Colônia e o Império, e, minoritariamente, dos colonos europeus pobres atraídos pela ilusão do Eldorado americano. Essas populações foram mantidas na exclusão por uma clara opção das elites nacionais em adotar um modelo de desenvolvimento concentrador de renda e mantenedor dos privilégios de uma minoria, explorando a maioria em parceria com sócios das Metrópoles européias e, posteriormente, norte-americanas.

Até muito recentemente, os governos brasileiros se limitaram a adotar políticas "sociais" que teoricamente teriam por objetivo reduzir a pobreza e a miséria. Tais políticas, na realidade, nunca passaram de medidas que tentavam cobrir o sol com a peneira, ou mais explicitamente, curar um câncer com curativos e bandaids: não atacavam as causas estruturais do problema, alojadas na concentração do poder econômico e político.

Como já dizia Josué de Castro, na década de 1930, a fome e a miséria são doenças sociais, causadas pelas opções de política adotadas pela sociedade brasileira, mais especificamente por sua elite. Enquanto não tivermos a coragem de enfrentar as causas do problema, não seremos capazes de melhorar a distribuição de renda, riqueza e terra, e de resolver os problemas sociais do país. Parafraseando Josué, o que precisamos consertar é o Brasil, e não somente as políticas sociais.

O Brasil precisa de um modelo de desenvolvimento sustentável centrado na promoção da qualidade de vida do povo brasileiro e não no pagamento da dívida externa ou interna. Temos sim de pagar essas dívidas, mas a elite e a sociedade brasileira têm de priorizar o pagamento da dívida social muito maior com os trabalhadores rurais, sem terra, sem teto, moradores de periferia, quilombolas, afrodescendentes, indígenas que geraram - e continuam a gerar - a riqueza do País, mas continuam a ser excluídos e tratados como seres humanos de segunda classe, quando chegam a ser tratados como humanos. Essa opção implicará em mecanismos concretos de redistribuição de renda e políticas afirmativas de redução das desigualdades sociais, culturais e políticas. A retomada do crescimento, por si só, não promoverá a redução das desigualdades.

Os problemas observados na execução das políticas sociais não podem ser dissociados da história de concentração de poder, autoritarismo, clientelismo e paternalismo que ainda permeia a sociedade brasileira. Os programas sociais continuam a ser vistos como "favores" de políticos "bem intencionados" para com pessoas "pobres" que deveriam ficar agradecidas quando recebem tais "benefícios". As elites políticas, especialmente em nível municipal, mas também em outros níveis, continuam a utilizar serviços e recursos públicos como se fossem bens privados.

O único caminho verdadeiro para a melhoria da distribuição da riqueza, da renda e das políticas econômicas e sociais, será quando a sociedade brasileira, em sua maioria, estiver decidida a enfrentar os privilégios das minorias, que hoje ainda se alojam no Judiciário, no Legislativo e no Executivo. Não há maneiras fáceis de fazer isso. Temos de implementar a reforma agrária e urbana, renegociar o pagamento das dívidas internas e externas, fazer uma reforma fiscal progressiva e promotora da redistribuição de renda, associadas a políticas de caráter assistencial emergencial e afirmativo, sempre no contexto da promoção dos direitos humanos e da emancipação das populações excluídas. Creio que o novo governo federal está dando alguns tímidos passos nessa direção, bem como diversos governos estaduais e municipais, sob a pressão da sociedade mobilizada.

Outro sinal positivo está no crescente protagonismo de organizações da sociedade civil e movimentos sociais, com parceiros potenciais, como o Ministérios Público, visando mudar a correlação de poder; aumentar a fiscalização sobre a gestão dos recursos públicos e garantir que a estratégia de desenvolvimento esteja a serviço da promoção da qualidade de vida de todos e sob o efetivo controle da maioria.

Flavio Luiz Schieck Valente é relator nacional para os Direitos Humanos à
Alimentação, Água e Terra Rural do Projeto Relatores Nacionais de Direitos Humanos,
Econômicos, Sociais e Culturais (DHESC) da Organização das Nações Unidas (ONU)

 

 

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