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Gracinha Caiado visita Cavalcante

 Só se conhece verdadeiramente a realidade de um lugar quando se vivencia o dia-a-dia de suas famílias. “Aqui nós estamos esquecidos. Agradeço a disposição da senhora de vir olhar com os próprios olhos e ouvir nossos clamores”, declarou o Kalunga Adir Soares de Sousa à primeira-dama Gracinha Caiado.

  Na última quinta-feira (21/3), uma comitiva do Gabinete de Políticas Sociais, comandado por Gracinha Caiado, visitou a cidade de Cavalcante, no Norte goiano, e constatou a dura realidade dos povoados da região.

  De acordo com dados compilados pelo Instituto Mauro Borges (IMB), o município é o pior no contexto de vulnerabilidade do Estado, com a maior quantidade de famílias no Índice Multidimensional de Carência das Famílias de Goiás (IMCF).

  O indicador foi construído com base nas diretrizes propostas pelo Relatório Final da Comissão de Estudos da Legislação Social Brasileira da Câmara dos Deputados, que elaborou o marco regulatório dos direitos sociais no País.

  O IMCF utiliza os dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal e metodologia do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para identificar a realidade de todos as  famílias do Estado que estão em situação de privação – seja ela de moradia, educação, saúde ou renda.

   Além da primeira-dama, também estiveram em Cavalcante o secretário de Desenvolvimento Social, Marcos Cabral, e a diretora-geral da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), Adryanna Melo Caiado. A proposta é visitar todas as dez cidades classificadas pelo IMCF com os indicadores mais preocupantes do Estado.

Unindo forças

     Como primeiro ato da visita a Cavalcante, Gracinha Caiado participou de solenidade na Câmara Municipal, em que participaram integrantes do Executivo e Legislativo locais, além de representantes do Ministério Público, da Justiça e de associações da região. 

     “Meu dever como primeira-dama é realmente olhar pelas pessoas mais carentes desse Estado de Goiás e é isso que eu estou fazendo aqui. Só que o governo sozinho não consegue tudo. Precisamos de parcerias. Cada um de vocês aqui vai nos ajudar a construir um novo Cavalcante”, defendeu.

Um povo esquecido

    O que a primeira-dama Gracinha Caiado encontrou no território do Sítio Histórico Kalunga, uma das maiores comunidades de remanescentes quilombolas do Brasil, foi uma situação de extrema pobreza e descaso em diversas áreas na educação, saúde e direitos básicos.

    Na Comunidade Quilombola de São Domingos, localizada há 60 quilômetros de Cavalcante, cerca de 300 pessoas não têm acesso à infra-estrutura básica. O local não possui energia elétrica e a falta de água inviabiliza o acesso a recursos essenciais como simples banheiros nas residências. “Vou olhar por vocês com muito carinho. Não vim só para visitar não. Vim aqui ouvir e entender como podemos mudar essa realidade”, disse.

   Recebida na única escola do povoado, a primeira-dama conferiu de perto a precariedade das instalações e a triste realidade educacional da comunidade. “Nós temos que nos preocupar com os alunos que estão aqui. Essa é a minha verdadeira preocupação e o meu dever. Dever como mãe. Eu não tenho dúvida que a preocupação das mães que estão aqui é a saúde e a educação dos seus filhos”, avaliou.

    Sem energia, os alunos não têm acesso à TV ou à internet. Muitas vezes, por falta de iluminação, recebem aulas do lado de fora das salas. “Precisa de energia, tem muita gente analfabeta que quer estudar a noite. Não tem internet aqui. O ensino é diferenciado por conta disso. Nós gostaríamos que tivesse uma biblioteca aqui”, resume Elisângela Santos, coordenadora pedagógica do Colégio Estadual Kalunga I. Segundo ela, são frequentes os dias em que, por falta de água, a escola não consegue oferecer sequer a merenda aos alunos.

    Os moradores fizeram questão de que a primeira-dama conhecesse a obra do posto de saúde que foi iniciada em 2016 com recursos do Governo Federal e está abandonada.

     Ao ver a situação do local, Gracinha se mostrou indignada com o desperdício de dinheiro público e a falta de planejamento. Enquanto faltam salas de aula na escola, o posto de saúde foi planejado com o tamanho de um hospital de pequeno porte. “Ao invés de transformar as duas salas de aula em um posto de saúde e transformar isso aqui em uma escola. Isso aqui é uma maluquice”, indignou-se.

Primeira visita do governo

     Na Comunidade Kalunga do Vão do Moleque a comitiva do governo seguiu conhecendo a realidade das famílias da região. O local, nunca antes visitado pelo governo do Estado, abriga quatro famílias no risco 5 do Índice Multidimensional de Carência das Famílias Goianas (que estão em grave situação de privação).

     Graças ao trabalho do Instituto Mauro Borges, Gracinha Caiado conseguiu encontrar e visitar a casa de duas delas. “As pessoas não têm ideia do que essas famílias  passam. Eu sou baiana e conheço bem o interior da Bahia. A realidade aqui é bem parecida. Um povo sofrido, sem qualquer perspectiva”, lamentou ela.

    O povoado de Vão do Moleque, localizado a 120 quilômetros de Cavalcante, em um território de difícil acesso, não conta com saneamento básico, luz ou água. Isoladas no meio da Chapada dos Veadeiros, as casas são construídas pelos próprios Kalungas com tijolos de barro feitos por eles e cobertura de palha. 

    Assim como em São Domingos, a escola da região está longe de possuir as condições ideais e a dificuldade de acesso compromete, inclusive, a chegada da merenda escolar.  Ao verificar a situação, a primeira-dama se comprometeu a averiguar pessoalmente o real motivo pelo qual a merenda não tem chegado à comunidade e buscar uma solução junto à Secretaria de Educação.

   “Os governantes que estavam aí só pensavam no bolso deles e em como é que eles iam resolver a vida deles. Eu não tive a chance de vir aqui pedir voto, mas eu acho que hoje eu posso ajudar muito mais do que vindo pedir voto. Essa é minha intenção ao estar aqui. Eu quero fazer”, garantiu Gracinha Caiado.

Ações

    Após a visita, a coordenadora do Gabinete de Políticas Sociais afirmou que repassará todo o diagnóstico verificado na cidade ao governador Ronaldo Caiado e deu encaminhamentos junto aos secretários. 

    Adryanna Melo Caiado quer ampliar o programa Meninas de Luz, que é destinado a grávidas com idade entre 12 e 21 anos, às comunidades. Além disso, quer destinar benefícios da OVG para as famílias em situação de vulnerabilidade.

    O secretário de Desenvolvimento Social, Marcos Cabral, se comprometeu a enviar uma equipe de assistência social para avaliar de que forma programas de assistência, como o Bolsa Família e o Renda Cidadã, têm alcançado a população Kalunga.

   Gracinha Caiado irá convidar todas as Organizações Não-Governamentais (ONGs) e associações que atuam nas comunidades Kalunga para discutir o que tem sido feito naquelas comunidades. Ela também se reunirá com a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, nas próximas semanas.

 


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