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Oficina de Musicalização beneficia idosos

 

Elisângela Vieira Santos e Karinthia Wanderley

     Não importa o estilo, o fato é que não há quem não goste de ouvir uma música em casa, no carro, na caminhada ou durante tarefas simples do dia a dia. O que poucos sabem é que a música, além de promover relaxamento e fazer bem para a alma, atua no tratamento de determinadas doenças e ajuda a manter o cérebro mais ativo. No Complexo Gerontológico Sagrada Família, unidade da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), a música, ensinada na Oficina de Musicalização, tem sido uma aliada na busca por uma melhor qualidade de vida.

     A melodia, o ritmo e outros elementos musicais para fins terapêuticos estimulam reações no corpo e ajudam na recuperação de moradores da Instituição de Longa Permanência (ILPI), que abriga pessoas com dificuldades para o desempenho das atividades diárias e necessitam de cuidados prolongados. A Oficina de Musicalização foi implantada em fevereiro de 2015 e acontece todas às terças-feiras, no período da tarde.

     Durante uma hora, cerca de 25 idosos, a maioria cadeirantes, com sequelas de acidente vascular cerebral e Alzheimer, utilizam instrumentos tradicionais como pandeiro, tamborim, chocalho ou materiais reciclados. Quando o grupo de percussão toca, enche o ambiente de alegria.

 Maior interatividade

     A ideia de montar o grupo foi da psicóloga Andréia de Souza Redaelli.  Ela afirma que a música tem um papel importante no emocional do idoso. “Durante as oficinas, eles descobrem seu potencial e desenvolvem o convívio social”, diz Andreia. Segundo a profissional, a música também estimula funções cognitivas, resgata a memória afetiva, a cultura, e reduz o estresse da rotina institucional. “Isso traz benefícios na parte funcional e psicológica do idoso”, garante.

     No início, a oficina era desenvolvida por profissionais do Espaço de Educação Naly Deusdará. E desde abril do ano passado, voluntários de diferentes cursos da Universidade Federal de Goiás (UFG) e do Instituto Federal de Goiás (IFG) conduzem as atividades.

      Uma das voluntárias, a professora da Faculdade de Enfermagem Suelen Gomes Malaquias explica que a oficina ocorre em três momentos. “Inicialmente escolhemos canções que tratam mais sobre o amor, afetuosidade. No segundo momento as que levam à reflexão. Por último, selecionamos as mais ritmadas, alegres. Muitos pedem para cantar, tocar. A interação é muito boa”.

     Milena Araújo dos Santos, acadêmica de Enfermagem, percebeu a mudança no comportamento dos idosos no decorrer de um ano que está no projeto. “No início muitos ficavam sérios, calados. Agora somos recebidos com sorrisos. A alegria está estampada no olhar deles. Tem sido uma troca muito rica entre nós”, pontua, ao acrescentar que pretende fazer seu Trabalho de Conclusão de Curso sobre o projeto.

Inspiração

     A psicóloga Andréia de Souza Redaelli conta que a inspiração para a criação da Oficina de Musicalização no Complexo Gerontológico veio de um dos moradores da unidade: o senhor Milton Rosa. Durante muitos anos, ele foi músico profissional. Agora, com 77 anos de idade, convive com as sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e do Alzheimer. “Ele é apaixonado por música. Apesar da doença, nunca esqueceu as notas musicais”, diz.

     Morador há seis anos do Complexo, Hundinair Correia, 76 anos, é um dos mais animados na oficina. “Sempre gostei de cantar na juventude. Minha voz agora já não é mais a mesma, mas não deixo de participar”. Já Arenaldo de Souza, 72, mais conhecido como “Seu Pelé”, finaliza sempre a atividade tocando gaita.

  O Complexo

     O Complexo Gerontológico Sagrada Família é referência no atendimento de pessoas com mais de 60 anos. O local oferece apoio multiprofissional, com o objetivo de promover qualidade de vida e longevidade, dentro dos padrões da Política Nacional do Idoso e do Estatuto do Idoso

      A unidade possui uma equipe formada por profissionais de Nutrição, Terapia Ocupacional, Pedagogia, Educação Física, Serviço Social, Odontologia, Psicologia, Fisioterapia, Enfermagem, residência em Geriatria e na área de beleza (cabeleireiro). O Complexo é constituído pela Instituição de Longa Permanência, Casas Lares, Centro Dia e Centro de Convivência (comunidade).

 

 

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